22/03/10
Rodrigo Miranda
Boa impressão
Inquieto, o gaúcho Rodrigo Miranda se define como aquele tipo de pessoa que está sempre procurando alguma coisa diferente para fazer. A vocação empreendedora surgiu ainda na infância, quando uma de suas maiores diversões era “brincar de vender” as figurinhas que improvisava com papel contact, além das frutas que sobravam no pomar da casa dos avós. Anos mais tarde, já formado em Administração de Empresas, teve a chance de ocupar cargos estratégicos em companhias como Claro, GVT, Grupo RBS e Springer. Mas, apesar das oportunidades promissoras, ele preferiu abdicar da estabilidade para apostar em um negócio próprio, partindo do zero. Fundador da rede de fast-food Vininha, de Curitiba, hoje Rodrigo Miranda comemora o sucesso da empresa, uma das vencedoras da edição 2009 do MPE Brasil – Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas, oferecido pelo Sebrae.
Aos 33 anos, Miranda trocou Porto Alegre por Curitiba em 2000, quando deixou um cargo no departamento de marketing da Claro para participar da implantação da GVT, cuja sede fica na capital paranaense. A experiência no mercado de telefonia, justamente no momento em que o setor estava sendo privatizado, foi uma das mais importantes na trajetória do jovem empresário. “Estar em meio a tantos profissionais gabaritados, sendo que eu tinha 19, 20 anos, me deu uma visibilidade fantástica. Foi um trem sem parâmetros que eu peguei”, reflete Miranda. Outros fatos marcantes de sua carreira incluem a participação no programa de trainees do Grupo RBS, onde trabalhou por um ano, além da passagem pelos departamentos de controle de estoques e recursos humanos da Springer.
Depois de dois anos em Curitiba, Miranda decidiu deixar a GVT para, finalmente, dar vazão ao espírito empreendedor. Antes de optar pelo ramo de alimentação, ele também considerou a hipótese de investir no segmento têxtil ou abrir um estacionamento. “Escolhi a opção mais desafiadora, onde eu teria chance de colocar minhas ideias em prática”, conta. Inspirado por uma de suas experiências do passado – quando, aos 18 anos, frequentava o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva e vendia salgadinhos que fazia com massa de pastel e salsicha –, decidiu criar o Vininha em 2002.
Vina, para os curitibanos, quer dizer salsicha. O nome Vininha, portanto, faz menção ao carro-chefe da casa, um minicachorro-quente assado, envolto em uma massa exclusiva inventada por Miranda. “Minha ideia era lançar um negócio que pudesse ser prático e diferente daquilo que tinha no mercado”, diz. O cardápio ainda lista miniaturas de hambúrguer, esfirra e croissant, além de saladas e doces como brigadeiro, beijinho e nega maluca. De fabricação própria, todos os produtos do Vininha são assados na hora – não há frituras – e vêm em embalagens térmicas customizadas, o que garante praticidade na hora de consumir. Mas não foi só por causa do sabor caseiro e da originalidade das guloseimas que o Vininha conquistou o prêmio. Outros atributos que levaram a empresa a vencer o MPE Brasil foram a preocupação com a satisfação dos clientes, a gestão de pessoas, a comunicação e a responsabilidade social.
Com duas lojas em Curitiba, além da central de tele-entrega (que concentra 60% do faturamento da rede), o Vininha hoje é uma empresa estabelecida na cidade e conta com público cativo. Com 32 funcionários, produz em média 200 mil salgados por mês. Muito diferente do início do negócio, quando Miranda possuía apenas a tele-entrega e três colaboradores – um entregador, um telefonista e uma pessoa para a produção. Da cozinha ao atendimento, passando pelas compras e a entrega, tudo dependia do empresário. “O problema é quando algum funcionário faltava, o que aconteceu diversas vezes”, conta. “Teve um dia em que faltou a atendente e o motoqueiro, então eu atendia o telefone e ainda corria para fazer a entrega, sem me preocupar porque o telefone não ia tocar de novo dentro de uma hora”, relembra o empresário, mencionando as dificuldades iniciais, na época em que o telefone tocava apenas três ou quatro vezes por dia.
Como não havia verba para bancar uma sede própria, nos primeiros quatro anos o Vininha sobreviveu apenas com o serviço de tele-entrega. “Eu não tinha recursos para investir num ponto bacana, e como eu não queria que os clientes percebessem como a empresa era pequena, decidi concentrar somente no delivery”, conta Miranda. Apenas em 2006 foi aberta a primeira loja, localizada no Batel, bairro nobre de Curitiba. A operação serviu como a alavanca de crescimento do Vininha que, em 2008, inaugurou a segunda unidade, desta vez no Shopping Estação.
Identidade visual
Para tornar a empresa conhecida, desde o princípio Miranda investiu na comunicação. “Apesar de ser uma empresa pequena, o Vininha sempre foi grande na forma de se comunicar”, afirma o empresário. Acreditando na máxima que diz “a primeira impressão é a que fica”, o empresário apostou na identidade visual e providenciou embalagens bem trabalhadas e chamativas para “dar uma noção de empresa grande”. Com o objetivo de dar um respaldo ainda maior à empresa, mandou estampar nas caixas as logomarcas de parceiros como Coca-Cola e Sadia. Como a empresa está crescendo, os planos para 2010 incluem a contratação de um profissional de comunicação, já que o volume de campanhas – até então desenvolvidas por free lancers – deve aumentar.
O atendimento personalizado também chamou a atenção dos primeiros clientes – e ajudou a reforçar o marketing boca a boca. Através do identificador de chamadas, o atendente registra os dados do freguês e, assim que ele liga novamente, é atendido pelo nome. “Tentamos criar um diferencial na forma de atender e entregar os produtos. São coisas simples, mas que passam uma ideia de organização e fazem com que o cliente sinta que o serviço é diferenciado”, explica Miranda.
Para o empresário, o desenvolvimento do negócio deve repercutir nas relações da empresa com a comunidade. Por isso, a cada seis meses o Vininha promove uma ação social. Uma das iniciativas implantadas por Miranda é a doação de agasalhos no período de outono e inverno. Quando o cliente faz o pedido, o atendente é instruído a sugerir a doação, que será coletada pelo motoboy no momento da entrega do lanche. Em novembro de 2009, foi a vez da campanha “Doe sangue, ganhe Vininha”, presenteando os doadores com cinco unidades do minicachorro-quente. “Isso ajuda a mostrar que temos uma preocupação que extrapola as fronteiras da nossa atividade comercial.”
Trabalhar no segmento de alimentação foi um desafio para Miranda, até então acostumado à rotina das grandes corporações. “O mercado de alimentação é fácil de entrar, mas difícil de se sustentar”, reflete o empresário, que por vezes pensou em desistir da empreitada. Uma das maiores dificuldades enfrentadas por ele na implantação do Vininha diz respeito à área de recursos humanos. Nos primeiros anos, o turn over girava em torno de 300% ao ano, o que dificultava a padronização dos produtos e serviços – algo essencial no ramo gastronômico. “A maior dificuldade é encontrar pessoas que acreditem no seu propósito. Mas, com o tempo, aprendi que é muito mais fácil as pessoas acreditarem nos seus próprios sonhos e buscarem um trampolim através do seu negócio”, avalia o empresário. Com a consolidação da marca e o crescimento da empresa, o turn over foi se reduzindo gradualmente. “Agora as pessoas querem fazer parte desse novo momento do Vininha, pois enxergam possibilidades de crescimento”, afirma o empresário, que tem como uma de suas metas valorizar o trabalho da equipe. As coordenadoras da loja do shopping, por exemplo, começaram como telefonistas e, recentemente, um motoqueiro também foi promovido a coordenador.
Como forma de garantir a qualidade dos produtos, a cada três meses é realizada uma pesquisa de satisfação com os clientes. São as próprias atendentes da tele-entrega que, nos momentos de menor movimento, ligam para aproximadamente 150 fregueses que consumiram produtos do Vininha na última semana. Conforme os resultados, Miranda providencia melhorias, mudanças e planeja novas ações. As telefonistas também se revezam em outras tarefas estratégicas – e que têm sido cruciais para o crescimento da empresa: inteligência competitiva e benchmarking. Além de analisar o que os concorrentes têm feito (através do acompanhamento pela internet), elas também têm a função de buscar informações sobre o mercado de fast-food e cuidar da comunicação eletrônica, incluindo e-mail, site, Orkut e twitter do Vininha.
Em 2010, a ideia é abrir outras duas lojas e, em dois anos, Miranda pretende chegar a dez unidades. Apesar de receber e-mails diários de pessoas de todo o País interessadas em abrir uma franquia do Vininha, o empresário – pelo menos por enquanto – não pretende expandir através do franchising. “Acredito que nesse primeiro momento nosso modelo de crescimento talvez seja um pouco diferente, com unidades próprias e talvez com funcionários tornando-se sócios das lojas”, revela o empresário, que faz questão de apoiar o empreendedorismo entre os colaboradores.
Linha do Tempo - Rodrigo Miranda
1976 - Nasce Rodrigo Miranda, em Porto Alegre 1983/1988 - Dos sete aos 12 anos, uma das brincadeiras favoritas do empresário é vender figurinhas feitas com papel contact e as frutas que sobravam no pomar dos avós 1994 - Aos 18 anos Miranda frequenta o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. Para garantir uma renda extra, passa a produzir e vender salgadinhos de massa de pastel e salsicha 1997 - Graduação em Administração de Empresas pela PUC/RS. Participa do programa de trainees do Grupo RBS 1998 - Ingressa na Claro como analista junior de marketing 2000 - Após receber uma proposta para trabalhar na implantação da GVT, Rodrigo Miranda muda-se para Curitiba 2002 - Decidido a abrir seu próprio negócio, Miranda dá início à operação do Vininha, que por quatro anos funcionou apenas com o serviço de tele-entrega 2006 - Inauguração da primeira loja do Vininha, no Bairro Batel 2008 - Inauguração da segunda unidade, desta vez no Shopping Estação 2009 - O Vininha conquista o prêmio MPE Brasil na categoria Comércio
Rodrigo Miranda:
Idade: 33 anos Local de nascimento: Porto Alegre Formação: Administração de Empresas e pós-graduação em Marketing pela PUC-RS Empresa: Vininha Cidade-sede: Curitiba Número de unidades: 2 (além da central de tele-entrega) Funcionários: 32
Fonte: Mônica Pupo |