11/01/10
Mariana Kovacs
Bebê não é peça de museu
Esqueça os tradicionais babados e a monotonia dos tons pastel: a moda infantil não é mais a mesma. Pelo menos para a grife I'm not a baby, que oferece peças em cores vivas, com estampas e modelos irreverentes, que seguem as tendências da moda adulta sem abrir mão do conforto e das necessidades dos pequenos. Com uma loja própria no Rio de Janeiro, a marca também pode ser encontrada em mais de dez pontos-de-venda em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. O negócio - que começou de forma caseira - rapidamente se mostrou um sucesso de vendas, chamando a atenção de lojistas e empreendedores de todo o País.Foi durante a gravidez, ao montar o enxoval da primeira filha, que a brasiliense Mariana Kovacs percebeu que as roupas de bebê, em sua maioria, seguem o mesmo padrão: babados, laços, fitas, tons pastel e estampas de ursinho ou correlatas. "Eu procurava peças pretas, para fazer um estilo, e não encontrava nada nas lojas de Brasília. Simplesmente não havia no mercado roupa infantil na cor preta." Decidida a vestir seu bebê de forma exclusiva, Mariana aproveitou o período de resguardo após o parto para planejar camisetas e macacões com frases e estampas de rock'n'roll, desenhadas por ela mesma em programas de edição de imagem. Apoiada pelo marido, o executivo Marcos Kovacs, a varejista não pensou duas vezes: deixou o emprego em um órgão do governo e deu início à produção da primeira coleção, lançada no início de 2007 após o nascimento de Maria Luísa, quando a família ainda morava em Brasília. Além de inspiração, a filha também se tornou garota-propaganda da I'm not a baby. "As pessoas a viam usando as roupinhas e vinham perguntar onde eu tinha comprado", relembra a lojista. As primeiras peças - sempre requisitadas pelos clientes, tanto que são parte integrante de todas as coleções - foram uma camiseta dos Rolling Stones e um vestido preto com a estampa de uma simpática caveira. Formada em Administração de Empresas e sem experiência no varejo, Mariana Kovacs se viu às voltas com as dificuldades de coordenar, ao mesmo tempo, criação, produção e comercialização dos produtos, que inicialmente eram vendidos apenas em multimarcas da capital federal. "O mais difícil é você, representando uma marca nova e desconhecida, provar aos varejistas que seu produto tem qualidade e aceitação." Até conquistar a confiança do mercado, as vendas eram feitas em consignação. Conciliar as tarefas de mãe e empresária é outro desafio para Mariana, que atualmente está focada na criação e desenvolvimento das peças, e conta com a ajuda do marido - e sócio - na gestão financeira do negócio. No início, o maior desafio foi produzir as peças a distância, pela dificuldade de encontrar mão-de-obra qualificada em Brasília. Segundo Mariana, são poucas as costureiras e modelistas especializados em roupas de bebê. "É preciso ter prática para entender a criança, pois os tamanhos variam muito e é preciso prezar o conforto acima de tudo." Além disso, as peças devem ser fáceis de vestir e possuir acabamento e qualidade superiores. Nessa fase, os prejuízos foram inevitáveis. "Enfrentei muitos problemas quando comecei. Às vezes eu planejava uma coleção, entregava na mão da costureira e vinha tudo errado, ou a estamparia errava, etc." Com todas as etapas de fabricação terceirizadas, muita coisa já era produzida no Rio de Janeiro, para onde a lojista se mudou em dezembro de 2007 por conta da transferência do marido, que trabalha em uma multinacional. Após a mudança, Mariana Kovacs investiu na confecção própria - onde faz questão de acompanhar a produção pessoalmente - e decidiu que era hora de abrir um ponto-de-venda exclusivo da I'm not a baby. Não sem antes testar a aceitação dos produtos entre os cariocas, novamente recorrendo às parcerias com multimarcas. "Eu queria estar segura da aceitação antes de ingressar de vez no comércio." O sucesso foi praticamente instantâneo: em pouco tempo as encomendas começaram a chegar e foi preciso intensificar a produção, já que outros lojistas passaram a requisitar os produtos. A grife também tem chamado a atenção de revistas e sites especializados em moda infantil, o que ajuda a alavancar as vendas. "Recentemente saíram algumas roupinhas no editorial de moda do site Bebê e recebemos mais de 500 e-mails de pessoas de todo o Brasil", comemora Mariana. Em agosto de 2008 foi inaugurada a loja própria. O ponto não poderia ser mais estratégico: localizada numa galeria comercial na Rua Visconde Pirajá, tradicional ponto comercial de Ipanema, a I'm not a baby é vizinha de lojas como Redley e Osklen, frequentadas por mães e pais descolados - justamente o público-alvo da grife infantil. Por oferecer somente produtos de fabricação própria, a marca consegue oferecer preços menores, destacando-se da concorrência. De acordo com Mariana, a loja nem sequer chega a fazer liquidações, "pois o preço é barato o ano inteiro". Além de abastecer o próprio estoque, hoje em dia a I'm not a baby fornece para outras 12 multimarcas. E os pedidos de representação chegam todos os dias, de todas as partes do País. Tanto interesse pegou Mariana de surpresa. A lojista - que queria apenas "abrir um negócio que desse certo na sua cidade" - não esperava um sucesso tão grande e que extrapolasse fronteiras, a ponto de pessoas de outros estados, onde a marca nem sequer está presente, passarem a procurá-la. "Se eu for ver, tem mais 50 lojas querendo comprar, mas eu não tenho produção suficiente para atendê-las." Se no início a I'm not a baby se concentrava em produzir apenas roupas para recém-nascidos e bebês, aos poucos a grife foi expandindo o portfólio, atendendo aos pedidos da clientela, e atualmente abrange crianças até oito anos de idade. As estampas e modelos - antes focados no rock'n'roll - também ganharam uma ampla variedade de estilos, com destaque para as camisetas com frases bem-humoradas. Mas o carro-chefe da marca continua sendo os bodies, com mais de 120 opções. "É impossível entrar na loja e não sair com pelo menos um body", diz a lojista. Todas as peças são produzidas com tecido 100% algodão, prezando modelagens confortáveis e que garantam total flexibilidade aos pequenos. O controle de qualidade não poderia ser mais rígido: antes do lançamento oficial, todas as peças são previamente testadas por Maria Luísa sob os olhares atentos da mãe. "Sempre testo as roupas na minha filha. Se eu sinto que tem algo que possa atrapalhar os movimentos dela, as peças são remodeladas." O fato de Mariana ser mãe de uma menina ajuda a explicar por que cerca de 70% do mix de produtos da I'm not a baby é composto de itens femininos. Para atender aos inúmeros pedidos da clientela, a grife expandiu a coleção masculina da próxima estação, com camisetas polo, bermudas de microfibra e calças cargo cheias de estilo e desenhadas especialmente para os meninos. Outra novidade para o segundo semestre é o lançamento da linha de calçados femininos - que em breve também deve ganhar a versão masculina. Enquanto isso, Mariana está na expectativa de iniciar as vendas pela internet. O site de e-commerce da I'm not a baby está em fase de conclusão e deve estrear em setembro. Até o início de 2010, será inaugurada a segunda unidade da rede, desta vez num shopping na Barra, onde funcionará o showroom da grife. Há ainda o interesse de expandir a marca para São Paulo em breve, através de uma loja própria. "Quero consolidar ainda mais o negócio para futuramente, daqui pelo menos uns dois anos, iniciar no franchising", conta a empresária, que costuma receber dezenas de pedidos de empreendedores interessados em obter uma franquia. Mas a ideia é expandir de forma moderada, nos formatos loja e quiosque, sem perder o foco na exclusividade. "Primeiro preciso crescer minha produção, o que requer investimentos em maquinário e mão-de-obra, para só então pensar em expandir." Contato: I'm not a baby: (21) 2227-2484 / www.imnotababy.com.br
Fonte: Mônica Pupo |